Psicóloga para Ataques de Pânico Online

Coração aos saltos, falta de ar e medo de que vai acontecer de novo?

Em resumo

Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo intenso, com sintomas físicos como palpitações, falta de ar e tonturas, que atinge o pico em poucos minutos. É assustador, mas não é perigoso em si. A TCC é um dos tratamentos psicológicos com mais evidência para a perturbação de pânico.

Por Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde (OPP n.º 29576). Última revisão: .

O que é

Os sintomas do pânico são uma reação de alarme do corpo, a mesma que nos prepara para fugir de um perigo, mas ativada sem ameaça real.

Muitas pessoas passam a temer o próprio medo e a evitar lugares ou situações onde aconteceu. Esse medo antecipatório mantém o problema.

Sinais e sintomas

  • Palpitações, aperto no peito e falta de ar
  • Tonturas, tremores e suores
  • Sensação de irrealidade ou de perda de controlo
  • Medo de estar a ter um problema de saúde grave ou de enlouquecer
  • Medo de que o ataque volte a acontecer
  • Evitar locais, transportes ou situações associadas ao ataque

O que mantém o ciclo do pânico

Um primeiro ataque surge muitas vezes numa fase de maior stress, cansaço ou mudança, mas também pode aparecer sem razão aparente. Há pessoas mais atentas às sensações do corpo e mais propensas a interpretá-las como sinal de perigo, o que aumenta a probabilidade de o pânico se repetir.

Segundo o modelo cognitivo de Clark, o ataque instala-se por um ciclo rápido: nota-se uma sensação (o coração a bater mais depressa, uma tontura), interpreta-se como catastrófica ("estou a ter um enfarte", "vou desmaiar"), o medo aumenta, e o medo produz mais sensações, que parecem confirmar a interpretação.

Depois do ataque, entram em ação os comportamentos de segurança: sentar-se, procurar a saída, levar sempre água ou medicação no bolso, evitar o café ou o exercício. Dão alívio, mas impedem a pessoa de descobrir que o que temia não acontece. A conclusão fica a ser "safei-me porque me sentei", e não "as sensações passam sozinhas".

Com o tempo, a vigilância constante do corpo e o evitamento de locais como transportes, supermercados ou autoestradas podem limitar significativamente a vida quotidiana. Quando o evitamento se generaliza, fala-se de agorafobia, que também se trata com TCC.

Quando procurar ajuda profissional

  • Teve um ou mais ataques e vive com medo de que se repitam
  • Começou a evitar situações por receio de ter outro ataque
  • Foi ao serviço de urgência e os exames estavam normais, mas os sintomas persistem
  • Os sintomas afetam o trabalho, a condução ou a vida social

Se estiver em crise ou em risco imediato para si ou para outras pessoas, ligue 112 ou a linha SNS 24 (808 24 24 24). A linha SOS Voz Amiga (213 544 545) oferece apoio emocional por telefone.

O que pode fazer desde já

Algumas estratégias simples podem ajudar enquanto procura apoio. Não substituem uma avaliação, mas são um bom ponto de partida:

  • Se ainda não o fez, peça ao seu médico de família uma avaliação para excluir causas físicas. Ter essa informação torna mais fácil reinterpretar as sensações.
  • Durante um ataque, pratique uma respiração lenta e sem forçar, com a expiração um pouco mais longa do que a inspiração. O objetivo não é eliminar as sensações, mas não as alimentar.
  • Diga para si próprio o que está a acontecer: "isto é uma reação de alarme, é desconfortável mas vai passar". Nomear ajuda a não entrar na espiral catastrófica.
  • Registe os ataques: quando aconteceram, o que sentiu, o que pensou e o que fez. Este registo é muito útil na primeira consulta.
  • Repare nos seus comportamentos de segurança e tente não os aumentar. Reduzi-los de forma gradual é trabalho que se faz melhor com acompanhamento.
  • Mantenha atividade física regular, se não houver contraindicação médica, e reduza o consumo de cafeína e álcool, que podem intensificar sensações semelhantes às do pânico.

Como a TCC pode ajudar

Antes de iniciar, é importante que um médico exclua causas físicas dos sintomas. Depois, a TCC trabalha a interpretação catastrófica das sensações do corpo e o ciclo de evitamento.

  1. Compreender o ciclo do pânico: sensação do corpo, interpretação, medo, mais sensação.
  2. Reestruturação cognitiva: reavaliar o significado das sensações corporais.
  3. Exposição interoceptiva: aproximar-se, de forma gradual e segura, das sensações temidas.
  4. Exposição gradual às situações evitadas.
  5. Respiração lenta e outras técnicas de regulação.
  6. Prevenção de recaídas.

O que esperar das primeiras sessões

Na primeira fase fazemos uma avaliação cuidada: como foi o primeiro ataque, com que frequência acontecem, que situações evita e que comportamentos de segurança usa. A partir daí, construímos em conjunto um mapa do seu ciclo do pânico, com as suas próprias sensações e pensamentos.

A seguir, o trabalho passa pela psicoeducação e pela reavaliação das interpretações catastróficas. Entre sessões, são propostos registos e pequenas experiências. A exposição às sensações e aos locais evitados é sempre planeada em conjunto, gradual e combinada consigo, nunca imposta.

Se os ataques forem muito frequentes ou houver outros problemas associados, uma avaliação médica ou psiquiátrica pode ser um complemento ao acompanhamento psicológico.

Como funcionam as consultas

OnlinePor videochamada (Zoom, Teams ou WhatsApp), em português
45 a 50 minutosSessões individuais, preferencialmente semanais
50€ + 45€1ª consulta 50€, seguimento 45€, com recibo

As consultas são para jovens adultos e adultos, em consulta individual, e ficam protegidas pelo sigilo profissional do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Veja os detalhes de marcação ou saiba como funciona a consulta online.

Mitos e factos

  • Mito: Um ataque de pânico pode fazer desmaiar. Facto: Durante o pânico, a pressão arterial tende a subir, e não a descer, por isso o desmaio é pouco provável. A sensação de tontura é real, mas raramente leva à perda de consciência.
  • Mito: Evitar os sítios onde aconteceu é a melhor forma de prevenir. Facto: O evitamento alivia no momento, mas tende a aumentar o medo e a lista de situações evitadas. A aproximação gradual e acompanhada é o que ajuda a recuperar a confiança.
  • Mito: Ter ataques de pânico significa estar a perder o juízo. Facto: A sensação de irrealidade é um sintoma comum do pânico. Não significa que esteja a enlouquecer nem a perder o controlo.

Perguntas frequentes

Um ataque de pânico pode ser perigoso?

Os sintomas são intensos, mas o ataque de pânico em si não é perigoso e passa, normalmente, em poucos minutos. Se tiver dúvidas sobre os sintomas, procure sempre avaliação médica.

Como diferenciar de um problema cardíaco?

Os sintomas podem ser semelhantes. Se for a primeira vez ou tiver dúvidas, procure avaliação médica. Se for excluída causa física, a avaliação psicológica ajuda a compreender o pânico.

O que fazer durante um ataque?

Lembre-se de que vai passar, respire devagar e lentamente e evite fugir da situação se possível. Na consulta, treinamos estratégias personalizadas.

O pânico tem cura?

A perturbação de pânico tem tratamento eficaz, e muitas pessoas deixam de ter ataques ou passam a lidar com eles sem medo, com acompanhamento adequado.

A consulta online funciona para pânico?

Sim. Revisões científicas mostram que a TCC por videochamada tem resultados comparáveis aos da presencial para as perturbações de ansiedade, incluindo o pânico.

Qual a diferença entre ataque de pânico e crise de ansiedade?

O ataque de pânico é um pico súbito de medo intenso que atinge o máximo em minutos. A ansiedade costuma ser mais gradual e prolongada, com preocupação e tensão. As duas podem coexistir, e a avaliação ajuda a perceber o que se passa no seu caso.

Como ajudar alguém que está a ter um ataque de pânico?

Mantenha a calma, fale devagar e com frases curtas, e lembre a pessoa de que a crise vai passar. Evite dizer "acalma-te" de forma insistente. Se houver dúvida sobre a causa dos sintomas, ou se for a primeira vez, ligue o 112 ou a linha SNS 24.

Posso ter ataques de pânico durante a noite?

Sim. Algumas pessoas acordam com sintomas de pânico. São assustadores, mas compreendem-se pelo mesmo ciclo e trabalham-se em consulta da mesma forma.

Pronto para dar o primeiro passo?

Uma primeira consulta é uma conversa para perceber o que o trouxe e como posso ajudar, sem compromissos nem julgamentos.

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Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde

Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses (cédula n.º 29576, ERS E173948). Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde no ISPA. Conheça o meu percurso.

Referências

  1. NICE (2011, atualizado). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). Ligação
  2. Clark, D. M. (1986). A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy, 24(4), 461–470.
  3. Carlbring, P., et al. (2018). Internet-based vs. face-to-face cognitive behavior therapy for psychiatric and somatic disorders: an updated systematic review and meta-analysis. Cognitive Behaviour Therapy, 47(1), 1–18. Ligação
  4. Craske, M. G. & Barlow, D. H. (2007). Mastery of Your Anxiety and Panic: Therapist Guide (4.ª ed.). Oxford University Press.
  5. American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5.ª ed., texto revisto; DSM-5-TR). American Psychiatric Publishing. Ligação

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde.