Psicóloga para Ansiedade Social Online

Medo de ser julgado, de dizer algo errado ou de ser o centro das atenções?

Em resumo

A ansiedade social é um medo intenso e persistente de ser avaliado negativamente pelos outros, que leva a evitar situações sociais ou a vivê-las com grande sofrimento. É diferente da timidez porque interfere com a vida diária. A TCC tem apoio científico e recomendação em orientações clínicas internacionais como tratamento psicológico para este problema.

Por Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde (OPP n.º 29576). Última revisão: .

O que é

É normal sentir algum nervosismo antes de falar em público ou de conhecer pessoas novas. Na ansiedade social, o receio de ser julgado é desproporcionado e tende a manter-se mesmo depois de situações que correram bem.

Muitas pessoas com ansiedade social vigiam-se durante as conversas, ensaiam o que vão dizer e analisam o que disseram depois. Estes comportamentos, feitos para se sentirem mais seguras, acabam por manter o problema.

Sinais e sintomas

  • Medo intenso de falar em público, em reuniões ou perante desconhecidos
  • Preocupação antes dos eventos sociais e análise exaustiva depois
  • Rubor, tremor, suor ou coração acelerado perante outras pessoas
  • Evitar convites, apresentações ou conversas por receio de errar
  • Tendência a ficar calado ou a ir embora cedo
  • Convicção de que os outros reparam em tudo o que corre mal

Porque acontece e o que mantém a ansiedade social

A ansiedade social costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta. Contribuem vários fatores: um temperamento mais inibido, experiências de crítica, gozo ou rejeição, e aprendizagens sobre a importância de causar boa impressão. Nenhum destes fatores, sozinho, explica o problema.

No modelo cognitivo de Clark e Wells, o centro do problema são crenças como "vou parecer ridículo" ou "se perceberem que estou nervoso, vão pensar mal de mim". Numa situação social, a atenção vira-se para dentro: a pessoa observa o rubor, o tremor ou a voz, e constrói uma imagem de si próprio vista de fora, muitas vezes bem mais negativa do que a realidade.

Para se proteger, recorre a comportamentos de segurança: ensaiar frases, evitar o contacto visual, segurar o copo com força, falar pouco. Estes comportamentos impedem de verificar que o desastre previsto não acontece e, por vezes, fazem a pessoa parecer mais distante, o que confirma o medo.

Depois da situação, a análise repetida do que correu mal funciona como um "pós-evento" que reforça a vergonha. Antes da próxima, a antecipação aumenta a ansiedade. É este ciclo de antecipação, autofoco, segurança e análise posterior que a TCC procura interromper.

Quando procurar ajuda profissional

  • O medo limita o trabalho, os estudos ou a vida social
  • Tem vindo a evitar cada vez mais situações
  • Passa muito tempo a preparar-se ou a repassar interações
  • Sente solidão ou tristeza por causa do isolamento

O que pode fazer desde já

Algumas estratégias simples podem ajudar enquanto procura apoio. Não substituem uma avaliação, mas são um bom ponto de partida:

  • Numa conversa, experimente desviar a atenção para a outra pessoa e para o que ela diz, em vez de vigiar os seus sinais de nervosismo.
  • Identifique um comportamento de segurança que usa com frequência e experimente reduzi-lo numa situação de baixo risco, observando o que acontece.
  • Depois de uma interação, limite a análise do que disse; se notar que está a repassar a conversa, anote-o e volte a uma atividade.
  • Escreva a sua previsão antes de uma situação social e compare-a com o que realmente aconteceu.
  • Faça uma lista de situações que evita, da menos à mais difícil, para levar à consulta; a exposição gradual é mais eficaz com acompanhamento.
  • Cuide do sono e reduza o consumo de cafeína antes de situações exigentes, porque podem aumentar os sintomas físicos de ansiedade.
  • Evite usar álcool para se sentir mais à vontade em eventos sociais, porque tende a manter o medo e a criar dependência dessa estratégia.

Como a TCC pode ajudar

Na TCC, trabalhamos o que acontece antes, durante e depois das situações sociais: os pensamentos, a atenção focada em si próprio e os comportamentos de segurança que mantêm o medo.

  1. Avaliação: perceber em que situações surge o medo e o que a pessoa faz para lidar com ele.
  2. Psicoeducação: compreender o ciclo da ansiedade social.
  3. Reestruturação cognitiva: testar as previsões negativas sobre o julgamento dos outros.
  4. Treino da atenção: desviar o foco de si próprio para o exterior.
  5. Experiências comportamentais graduais, reduzindo os comportamentos de segurança.
  6. Prevenção de recaídas e consolidação dos ganhos.

O que esperar das primeiras sessões

Nas primeiras sessões, exploramos situações recentes em detalhe: o que pensou antes, o que sentiu, onde estava a sua atenção e o que fez para se proteger. Com isso, construímos juntos o seu ciclo da ansiedade social e definimos objetivos concretos, como falar numa reunião ou aceitar um convite.

O trabalho inclui experiências comportamentais planeadas em conjunto, por vezes começando na própria sessão por videochamada, por exemplo com pequenas apresentações ou conversas simuladas. Entre sessões, as tarefas são graduais e combinadas consigo.

O ritmo respeita o seu nível de conforto, mas a mudança implica alguma ansiedade controlada. O progresso é revisto ao longo do processo.

Como funcionam as consultas

OnlinePor videochamada (Zoom, Teams ou WhatsApp), em português
45 a 50 minutosSessões individuais, preferencialmente semanais
50€ + 45€1ª consulta 50€, seguimento 45€, com recibo

As consultas são para jovens adultos e adultos, em consulta individual, e ficam protegidas pelo sigilo profissional do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Veja os detalhes de marcação ou saiba como funciona a consulta online.

Mitos e factos

  • Mito: As outras pessoas reparam em todos os meus sinais de nervosismo. Facto: Os sinais de ansiedade costumam ser muito menos visíveis para os outros do que para quem os sente. A TCC ajuda a testar isto na prática.
  • Mito: Quem tem ansiedade social não gosta de pessoas. Facto: Muitas pessoas com ansiedade social desejam ter mais contacto com os outros. O que as afasta é o medo do julgamento, não a falta de interesse.
  • Mito: Basta forçar-me a ir a eventos para passar. Facto: Enfrentar situações sem reduzir os comportamentos de segurança e o autofoco muitas vezes não chega. A exposição funciona melhor quando é planeada e gradual.

Perguntas frequentes

Ansiedade social é o mesmo que timidez?

Não. A timidez é um traço de personalidade e não implica necessariamente sofrimento. A ansiedade social causa medo intenso, evitamento e interferência na vida diária.

Tem tratamento?

Sim. A TCC é recomendada por orientações clínicas internacionais, como as do NICE, como tratamento psicológico para a ansiedade social.

A consulta online funciona para ansiedade social?

Sim. A TCC por videochamada tem resultados comparáveis aos da consulta presencial para várias perturbações de ansiedade, e muitas pessoas sentem a consulta a partir de casa como um primeiro passo mais fácil.

Vou ter de me expor a situações que temo?

A exposição gradual faz parte do tratamento, mas é combinada consigo, ao seu ritmo, e começa por situações que consegue enfrentar.

Preciso de um diagnóstico para marcar consulta?

Não. Pode marcar consulta se sentir que o medo social está a afetar a sua vida.

Como ajudar alguém com ansiedade social?

Mostre compreensão sem pressionar nem falar pela pessoa. Encoraje pequenos passos, valorize o esforço e sugira ajuda profissional se o medo estiver a limitar a vida dela.

Qual a diferença entre ansiedade social e medo de falar em público?

O medo de falar em público pode existir isoladamente. Na ansiedade social, o receio de avaliação negativa abrange com frequência várias situações, como conversas, refeições ou reuniões, e interfere com a vida diária.

A ansiedade social pode afetar o trabalho?

Sim. Pode levar a evitar reuniões, apresentações ou oportunidades de progressão. Trabalhar estas situações concretas costuma fazer parte dos objetivos da terapia.

Pronto para dar o primeiro passo?

Uma primeira consulta é uma conversa para perceber o que o trouxe e como posso ajudar, sem compromissos nem julgamentos.

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Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde

Drª Adriana Fernandes, Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses (cédula n.º 29576, ERS E173948). Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde no ISPA. Conheça o meu percurso.

Referências

  1. NICE (2013). Social anxiety disorder: recognition, assessment and treatment (CG159). Ligação
  2. Clark, D. M. & Wells, A. (1995). A cognitive model of social phobia. In R. G. Heimberg et al. (Eds.), Social Phobia: Diagnosis, Assessment, and Treatment. Guilford Press.
  3. Hofmann, S. G., et al. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: a review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36, 427–440. Ligação
  4. Mayo-Wilson, E., Dias, S., Mavranezouli, I., Kew, K., Clark, D. M., Ades, A. E. & Pilling, S. (2014). Psychological and pharmacological interventions for social anxiety disorder in adults: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet Psychiatry, 1(5), 368–376. Ligação
  5. Carlbring, P., et al. (2018). Internet-based vs. face-to-face cognitive behavior therapy for psychiatric and somatic disorders: an updated systematic review and meta-analysis. Cognitive Behaviour Therapy, 47(1), 1–18. Ligação

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde.